Aquele sonzinho de batida pop e linha de piano marcante ficou registrado na minha mente como uma chave que aciona uma quantidade de emoções e nostalgia que jamais seria possível lembrar sem este importante gatilho. Primeiro aparece aquela breve história. Na sequência Adam e Blaze. E por fim — e entre os dois —, Axel. Não demora quase nada para cairmos na porrada e começar um dos jogos mais marcantes do início dos 90s, exceto se você fizer tanta questão de ouvir o tema do jogo, que soava tão lindo que quase todas as vezes eu ficava dividido em apertar o bendito botão para começar o jogo, ou ouvir um longo trecho da música introdutória.
[Ignorávamos muitos trechos da apresentação da história e dos personagens porque éramos muito jovens e estávamos começando o contato com o inglês.]
[Ignorávamos muitos trechos da apresentação da história e dos personagens porque éramos muito jovens e estávamos começando o contato com o inglês.]
Os mais aficionados por games já entenderam de que jogo estou falando desde o momento que citei os nomes dos três personagens. Estou descaradamente descrevendo o adorável Streets of Rage, de 1991 — ou S.O.R., como o chamávamos — e a partir de agora, vou contar-lhes como acordei com o controle nas mãos, assustado, e perguntando: — O que diacho está acontecendo?

Sim. Esta é a história de quando funcionei por tanto tempo no automático que acabei acordando enquanto sentava o cacete em um dos chefes de S.O.R!
Sandro é um antigo amigo que compartilhava comigo o gosto pelo Mega Drive. Na real, ele era o dono do que jogávamos, e entre jogos que eram legais e outros que não, pegávamos os ruins e trocávamos nas locadoras de games. E em uma destas investidas, em uma subida em direção à locadora, abaixei a cabeça enquanto pedalava e fui! Pedalei com pressa e força. Eu juro que estava ansioso para saber o que nos esperava quando oferecêssemos o cartucho de jogo mediano que já estávamos enjoados de jogar. Pedal direito... Pedal esquerdo... e tudo apagou. Minha última memória era de uma menina brigando por que tínhamos colidido bicicleta com bicicleta. Ela descendo e eu subindo.
Quando acordei, estava sentado em um sofá com o controlinho preto clássico (ABC) nas mãos e eu estava tão zonzo e com a visão embaçada que não tinha a menor ideia do que estava acontecendo. É isso mesmo... Não sei como, mas dentro do meu tempo de blackout, fomos na locadora, fizemos a troca, voltamos para casa e jogamos sem parar o novo cartucho do Streets of Rage. Não me pergunte como isso aconteceu, pois eu não tenho resposta. Mas é uma das histórias que adoro contar, pois este jogo não ficou apenas marcado em minha memória meramente como um excelente entretenimento de boa jogabilidade e ótima música que eu e o Sandro desfrutamos até enjoar, mas também como um ponto específico de lapso de memória que jamais saberei o que ocorreu dentro deste tempo. Simplesmente joguei a minha primeira partida de S.O.R. completamente no automático e inconsciente!

O que sinto hoje quando me lembro desta história? Confuso eu acho! Mas ao mesmo tempo que penso em tudo que aconteceu e me sinto envergonhado, gosto da memória. Foi um pedaço da minha história com game que gravou no meu DNA. Lembro-me de cada detalhe antes do impacto e garanto para você, amigo leitor, que jamais — em toda minha vida — esquecerei o que vi depois daquela piscada de olhos que me fez teletransportar da frente de uma igrejinha da Congregação Cristã na Rua dos Eucaliptos, para mais de 1 quilometro dali, para o sofá da casa de meu amigo, em frente à tevê e com o videogame que eu mais adorava na época, jogando um jogo que jamais deixará de existir em minha mente: o estonteante Streets Of Rage!

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